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O resultado de um hercúleo trabalho capitaneado por Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP e presidente eleito da Comissão da Indústria Imobiliária da CBIC (CII) para a gestão que se inicia em junho, foi apresentado no Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em Brasília. Em foco, novos recursos para o mercado imobiliário, cujas tradicionais fontes de financiamento estão em um momento que merecem atenção.

Para Petrucci, mesmo com a multiplicidade de alternativas emergentes, o setor ainda se socorre em apenas duas fontes de recursos. “Há 25 anos participo de discussões e eventos sobre funding. Nesse período, ouvimos falar de fundos de financiamento imobiliário, letra de crédito imobiliário, letra imobiliária garantida, certificado de recebíveis imobiliários... Mesmo assim, no ano passado, 600 mil operações de financiamento foram feitas basicamente com dinheiro da poupança e do FGTS”, disse.

Destaque dos debates, a LIG (Letra Imobiliária Garantida) pode ser um artifício robusto para o crédito imobiliário a médio e longo prazos. Fatores-chave para esse sucesso será a forma como o Banco Central regulamentará a questão e a indispensável estabilidade macroeconômica, de forma a trazer os juros a patamares razoáveis. “Precisamos ter a economia normalizada, com os juros de longo prazo a 7% para poder alavancar o crédito, aumentado a proporção que os financiamentos de imóveis têm em relação ao PIB”, disse Felipe Pontual, diretor executivo da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança).

O crédito imobiliário em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) vem crescendo ao longo dos últimos anos, mas ainda é muito baixo se comparado a outros países. Apenas 9,7% em 2014, enquanto no Reino Unido chega a 83,7% do PIB. No Chile, atinge 20%.

Pontual mostrou preocupação em relação à sustentabilidade do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como fonte para o financiamento de imóveis. Nos últimos anos, o Fundo tem socorrido inúmeras outras operações de crédito, que não as habitacionais. Houve, ainda, a liberação das contas inativas, o que contribuiu para o derretimento do saldo e, consequentemente, no curto prazo, pode impactar as liberações para habitação.

O superintendente nacional da Caixa, André Marinho, garantiu que o banco público vai executar todo o crédito imobiliário destinado à renda baixa. “Os cenários nos dão a segurança de que as condições básicas continuarão. O nosso principal funding, a poupança, está melhorando”, garantiu o gestor. Segundo o banco, o cenário de contratação de crédito deverá cumprir uma meta igual à de 2016, cerca de R$ 80 bilhões.

Otimista, Marinho afirmou que há bastante espaço para crescimento do crédito imobiliário e a Caixa está cumprindo o papel de banco de habitação social. “A Caixa está atuando para manter o crédito imobiliário e atender a possível demanda com a melhoria do cenário macroeconômico”.  Mas lembrou que há um grande vilão para combater: a inadimplência, que consome grande parte do capital. Preocupada com isso, a Caixa fez uma força tarefa com ação de negociação e repactuação de vários contratos antes de ser tornarem inadimplentes. 

Alexandre Assolini, representante da Comissão de Produtos Financeiros Imobiliário do Secovi-SP, afirmou que a captação de recursos reage muito rápido às notícias negativas, mas o contrário também acontece. “Se voltarmos ao mínimo de estabilidade, as captações vão retornar”, garantiu. Como exemplo, citou a delação da JBS. Bastou o episódio vir à tona que, no dia seguinte, os títulos públicos foram reclassificados em 50% em relação ao valor investido inicialmente. 

Assolini enfatizou o potencial e a demanda enormes para fazer crescer o crédito imobiliário. Para ele, logo após a saída da regulamentação da LIG, os primeiros papéis deverão ser emitidos em três anos, devido à complexidade operacional do título. 


Fonte: Secovi - SP